Não devia ser assunto, como diz o título, e há de não o ser, mas por enquanto ainda chama a atenção, apesar de ser pela positiva, as edições de revistas dedicadas a todas as idades, sobretudo as mais velhas, pondo-as em destaque merecido, neste mundo ainda demasiado preso ao dogma

beleza=juventude

Sónia Braga e Constanza Pascolato, as últimas musas a dar cartas na capa da Vogue Brasil

Pois bem, cada vez mais se rompe com aquela ligação directa, pondo na linha da frente mulheres maravilhosas mais velhas, arrisco dizer mais agora do que quando eram mais novas, quando noutros tempos estariam condenadas à invisibilidade e esquecimento, até chegar ao dia em que a idade não será questão, apenas beleza e força. E terá o mesmo tempo de antena, não a excepção ou reivindicação.

Cada vez mais se vêem estas capas, estas caras, estas mulheres que nos representam na sua idade, merecendo o estatuto de beldade inatingível como as jovens, apenas com umas décadas de experiência em cima.

Quanto mais elas aparecem, menos se estranham as rugas, as brancas, a pele fina, mais se normaliza o well aging, o smart aging, mas sempre aging, porque o natural é envelhecermos, não sermos anti-aging como se pudéssemos ou quiséssemos anular a passagem dos anos. É o que acontece a quem vive muito, e ainda bem, é um privilégio!

Elas aparecem nos sites das marcas de roupa que compram, nas marcas de cosméticos que usam, nas capas das revistas que financiam. Nós consumimos, nós existimos, nós temos de ser consideradas.

Elas não se escondem, elas não se rendem, elas têm uma voz e uma vontade. Nós queremos esse lugar que por direito nos pertence, estamos aqui e queremos estar presentes, queremos ser visíveis porque somos relevantes. Somos chamada de capa.

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